Olá

Bem vindo a partes de mim



quarta-feira, 27 de agosto de 2025

nos vemos

não há arrependimento
a única linha do destino 
é aquela em que bordamos o presente
mas não impeço minha mente de sonhar
como seria tocar seus lábios
e te saudar em boas vindas e despedida
ao mesmo tempo

o acaso é um bicho afoito
corremos entre o rio e o mar
para nos encontrarmos exatamente 
no mesmo lugar

entre risadas descompromissadas
e as conversas profundas
que só aqueles que não tem esperança no reencontro
são capazes de ter 
a fina linha do tempo se estreita ainda mais
e o oceano gigantesco
parece apenas mais um lago que cruzamos à pé

temos dez horas de viagem
e uma aventura inteira pela frente
o banco meu lado fica vazio
e você se demora em uma conversa banal
o dia se despede e o céu rosado escurece
os últimos raios de sol refletem em seus olhos
eu fito o azul como quem olhar o mar
e lentamente nos encaramos no silêncio
dançamos nas cadeiras pelo tédio
mas nossos rostos se buscam por outro motivo
deito em seu braço escuto histórias infinitas
sobre cidades japonesas pães e música
desejo que infinita também seja a viagem
e quase torço para que seu voo se perca
o meu voo se perca
e por uma bondade do destino
a vida nos dê mais um dia de magia

chegamos ao destino final
entre correrias e aventuras 
não nos damos conta que há horas
a música é o som da nossa voz
te extrañarei no silêncio
a saudade ainda não se traduz 

enfim, o destino realmente estava ao seu lado
você chega a tempo
nos despedidos na fila mas seguimos juntos
até o último minuto
até o último momento
promessas de uma viagem futura
um reencontro desejado - e talvez nunca possível
nos vemos no brasil 
nos vemos em berlim
podemos viajar por aí
qual seria o gosto do seu beijo? 
algumas respostas o futuro guarda pra si
sem saber se um dia vai revelar 

03 de julho de 25

quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

verão

tenho aprendido que o tempo é um senhor misterioso
e a vida uma jovem engraçada
o senhor nunca revela o que irá curar
e a jovem se diverte com ironias, reviravoltas e charadas 

um dia questionei ao tempo
por que curar o que não dói? 
pergunta errada, minha filha
às vezes já doeu tanto que paramos de sentir

me virei à vida
como vou saber o destino correto? 
com um riso de canto de boca, seu olhar foi e encontro ao meu
quem te disse que há só um?

entre medos e julgamentos
esperamos o bálsamo aliviante da resposta correta
achar a solução, atender ao destino
nos curarmos do que achamos difícil 
nos alegrarmos no fácil
viver a vida no bem feito

não há correto, minha filha
há a resposta de nossas escolhas
há o viver desmedido
e a coragem de ir além 
há a ousadia de inverter as lentes
e nos olharmos de dentro pra fora e fora pra dentro 

as lições que recebemos 
não são as que queremos
são as que precisamos

entre o medo e a coragem
não há escolha, há obrigação
existe um ruído dentro do peito
seja guiada pelo rugido do seu coração

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

buscar a paz é tarefa dos corajosos
ferozmente enfrentar o medo
ludibriar a angústia
e ter fé no caminho

quando olhamos os céus
e imploramos por cuidado
esquecemos que os céus não tem mãos
e para materializar nosso desejo
somos nós que precisamos esticar os braços

é preciso escolher
escolher todos os dias
não ter medo

é preciso caminhar
caminhar todos os dias
em direção aos nossos sonhos

é preciso lutar
lutar todos os dias
pela paz que almejamos

dentro de nós
o bicho selvagem
pede acalanto
queremos colo
queremos trégua
queremos paz

e é nosso peito que se recolhe ao fim do dia
nossas mãos que acariciam seus cabelos
sou eu que me cuido, mas não faço isso sozinha